
Professor Washington Tomé afirma que a história do município começou muito antes da emancipação política e defende maior valorização da memória local
Durante participação especial no programa Espaço Aberto, da Rural FM, nesta quarta-feira (15), data em que Juazeiro celebra 148 anos de emancipação política, o historiador e professor Washington Tomé fez um resgate da formação histórica do município, destacou personagens que marcaram a trajetória da cidade e chamou atenção para a necessidade de preservar a memória e a cultura juazeirense.
Logo no início da entrevista, Washington Tomé explicou que a história de Juazeiro é muito mais antiga do que os 148 anos comemorados oficialmente.
História começou há mais de cinco séculos
Segundo o historiador, os primeiros registros da região remontam ao ano de 1501, quando os exploradores portugueses André Gonçalves e Américo Vespúcio passaram pelo Vale do São Francisco durante expedições de reconhecimento do território brasileiro.
De acordo com Washington Tomé, foi a partir dessas expedições que o Rio São Francisco passou a ser identificado pelos portugueses com esse nome, em referência ao dia de São Francisco de Assis, celebrado na data da passagem dos navegadores.
O professor explicou que a emancipação política de Juazeiro ocorreu muito depois, quando o município foi desmembrado de Santo Sé, tornando-se cidade e passando a ter autonomia administrativa para receber recursos públicos e ampliar seu desenvolvimento.
“Juazeiro não tem apenas 148 anos. A história da cidade começou há mais de 500 anos”, destacou.
Crescimento impulsionado pelo Rio São Francisco
Durante a entrevista, Washington Tomé lembrou que o crescimento econômico de Juazeiro esteve diretamente ligado à navegação pelo Rio São Francisco.
Segundo ele, os antigos vapores que vinham de Minas Gerais transportavam mercadorias e passageiros, transformando Juazeiro em um importante entreposto comercial do Nordeste.
Esse desenvolvimento também foi impulsionado pela ligação terrestre com Salvador, consolidando a cidade como polo regional ao longo dos séculos.
Famílias tradicionais e registros históricos
Questionado sobre as primeiras famílias que se instalaram em Juazeiro, o historiador explicou que existem poucos registros documentais totalmente precisos.
Segundo ele, muitos documentos se perderam com o tempo, mas parte dessa memória permanece preservada nos nomes de ruas e avenidas da cidade.
Washington Tomé citou exemplos como Adolfo Viana, Flaviano Guimarães e outras personalidades que ajudaram a construir a história política e administrativa do município.
Ele ressaltou ainda que Juazeiro foi formada pela contribuição de diversas famílias, sem que apenas um grupo tivesse protagonismo absoluto em sua fundação.
Enchentes marcaram a história da cidade
Outro momento importante lembrado pelo historiador foram as grandes enchentes registradas no município.
Washington Tomé destacou principalmente as cheias dos anos de 1949, 1960 e 1979, que provocaram alagamentos em boa parte da cidade e fazem parte da memória coletiva dos juazeirenses.
Cultura como patrimônio
Ao falar sobre a identidade cultural de Juazeiro, o professor destacou que o município sempre foi um celeiro de grandes talentos.
Entre os nomes lembrados estão João Gilberto, um dos criadores da Bossa Nova, Ivete Sangalo, além de artistas, escritores, poetas, atores e esportistas que projetaram o nome da cidade para o Brasil e o mundo.
Segundo ele, a cultura sempre foi uma das maiores riquezas de Juazeiro, mas necessita de investimentos permanentes para manter vivas tradições como os grupos de penitentes, apresentações teatrais, saraus, festivais e manifestações populares.
“O incentivo à cultura é fundamental para preservar a identidade da cidade e garantir que essas manifestações não desapareçam com o tempo”, afirmou.
Preservação da memória
Washington Tomé também falou sobre seu trabalho de pesquisa e revelou que reúne, há décadas, histórias, lendas e registros sobre Juazeiro.
O historiador defendeu a criação de espaços permanentes de debate e divulgação da história local, reunindo pesquisadores, escritores e estudiosos para preservar a memória da cidade para as futuras gerações.
Segundo ele, conhecer a própria história fortalece o sentimento de pertencimento da população e contribui para a valorização da identidade cultural do município.



