
O programa Espaço Aberto, da Rural FM, recebeu nesta quarta-feira (data) o gestor ambiental e pesquisador do IF Sertão-PE, Juliano Jorge Cucollo, para discutir um tema que tem ganhado repercussão e preocupação crescente: o descarte irregular de lixo na zona rural de Petrolina.
A entrevista contou também com a participação da coordenadora voluntária do Transforma Petrolina, Aline Durando, e trouxe relatos importantes de moradores da área irrigada, zona rural e perímetros irrigados.
Segundo Juliano, o debate surgiu dentro do Instituto após uma situação que chamou atenção de visitantes internacionais: ainda no trajeto entre o aeroporto e o campus, os pesquisadores notaram a grande quantidade de lixo espalhada às margens da rodovia. O incômodo acendeu o alerta e motivou o grupo a iniciar uma pesquisa de campo.
“A professora Ana Rita estava acompanhando uma equipe de fora do país, e logo na entrada perceberam o lixo jogado na beira da estrada. Isso nos levou a entender que precisávamos agir, produzir dados, fomentar a pauta e buscar soluções com o poder público”, explicou.
Pontos críticos e lixo acumulado há anos
Juliano revelou que a equipe do IF Sertão já identificou pontos recorrentes onde o descarte irregular se repete há anos, especialmente no N4 e N5, transformados em verdadeiros lixões a céu aberto.
“Estamos fazendo análises de solo, porque há locais onde o lixo é jogado há tanto tempo que já existe risco de contaminação do lençol freático. É um problema ambiental, de saúde pública e também de imagem da nossa região”, alertou.
Além disso, o pesquisador destacou que muito do lixo descartado — sofás, restos de poda, eletrodomésticos, materiais orgânicos e até bagaceira de coco — poderia ser reaproveitado ou ter destino adequado, mas termina acumulado às margens das estradas.
Hábito, vício ou falta de informação?
Em resposta a perguntas dos apresentadores Waldiney Passos e Adriano Jaques, Juliano explicou que a prática do descarte irregular acontece por diferentes motivos: falta de educação ambiental, hábito enraizado, ausência de orientação ou, simplesmente, o ato de “se livrar do lixo” da frente de casa.
“O cidadão vê uma sacola jogada ali e pensa: ‘Vou deixar a minha também’. E assim o acúmulo cresce. Não é apenas falta de coleta — muitas vezes é costume. E precisamos mudar isso com educação e alternativas reais”, destacou.
IF Sertão propõe criação de Ecopontos
A reunião recente com o secretário executivo de Serviços Públicos, Alisson Oliveira, abriu espaço para discutir soluções práticas. Juliano afirmou que a ideia mais avançada é a criação de Ecopontos nos locais onde o descarte já ocorre naturalmente.
“Se o cidadão já vai até aquele ponto, vamos transformar esse local em área correta de descarte, com separação entre resíduos recicláveis, orgânicos e volumosos”, explicou.
“O lixo de um pode ser o luxo de outro. E isso ajuda também as cooperativas de reciclagem, que hoje recebem material sujo e sem condições de reaproveitamento.”
O poder público, segundo ele, demonstrou interesse em avançar na proposta e ampliar a fiscalização com o uso de câmeras e multas.
Moradores reforçam o problema e relatam prejuízos
Durante o programa, diversos ouvintes relataram situações de descarte irregular, queimadas de lixo e acúmulo de resíduos em terrenos e estradas da zona rural:
Moradora Edileuza, da área irrigada, denunciou que muitos colocam fogo no lixo, provocando fumaça tóxica prejudicial a crianças e idosos.
Dona Marlene, do bairro José e Maria, disse que mesmo instalando lixeiras em casa, vizinhos descartam sofás, colchões e entulhos no terreno ao lado.
Igor, da Ponta da Serra, relatou que a estrada virou um verdadeiro lixão a céu aberto.
Juliano reforçou que queimar lixo é extremamente prejudicial: “A fumaça polui o ar e coloca em risco a saúde da população. É nociva para quem mora próximo, para os animais e para o meio ambiente.”
Educação ambiental é o caminho
Para o pesquisador, a mudança duradoura virá quando a educação ambiental fizer parte da rotina das escolas e das famílias.
“A criança aprende, ensina os pais e se torna multiplicadora. É um trabalho de formiguinha, mas é eficaz. Quando o ambiente está limpo, as pessoas têm mais dificuldade de sujar”, afirmou.
O IF Sertão-PE continuará as pesquisas, incluindo análises de solo, diagnóstico dos pontos mais críticos e propostas de implementação dos Ecopontos em parceria com a Prefeitura de Petrolina.



